5. Ministério sagrado.
Por ocasião da visita da Conferência Episcopal Italiana, o Papa fez uma homilia que tem um tom meditativo sobre o amor que o pastor deve confessar a Cristo a semelhança do amor que Pedro confessa a Cristo antes que o Senhor lhe confie o seu rebanho. O Papa lhes dizia que o ministério se assenta na intimidade com Cristo. É desse amor a Cristo que brota a vigilância fiel dos pastores que lutam para fazer realidade o sonho de Deus: “ser Pastor significa acreditar cada dia na graça e na força que nos vem do Senhor, não obstante a nossa debilidade, e assumir até ao fundo a responsabilidade de caminhar diante da grei, livres de pesos que impedem a sadia disponibilidade apostólica, e sem hesitações na orientação, para tornar reconhecível a nossa voz, quer por quantos abraçaram a fé, quer por aqueles que ainda «não são deste aprisco» (Jo 10, 16): somos chamados a fazer nosso o sonho de Deus” (Homilia, 23/05/2013, à Conferência Episcopal Italiana).Durante a Missa crismal do dia 28 de março, o Papa deixou entrever o que ele pensa do sacerdócio, do padre: um homem de Deus, revestido da beleza de tudo o que é litúrgico, isto é, da presença da glória de Deus, que irradia no povo que lhe foi confiado. O sacerdote, ungido com o óleo da alegria, é feliz porque se encontra identificado com Cristo e semeia paz e alegria por onde passa através das suas palavras e ações, máxime aos mais necessitados. Desta maneira, o presbítero não é um simples gestor, mas deve ser um “pastor com cheiro de ovelhas”, isto é, Cristo no meio do seu povo. Assim como há uma “crise de civilização”, também os sacerdotes poderiam passar por uma “crise de identidade”… Para que isso não aconteça, os padres devem ser homens totalmente realizados, isto é, pastores com cheiro de ovelhas, com identidade clara e missão bem definida (cf. Homilia, 28/03/2013, na missa crismal).Os sacerdotes devem ser homens santos. Aos membros da Pontifícia Academia Eclesiástica, além de dizer-lhes que o carreirismo é uma lepra, recordou-lhes que devem ser santos. Caso contrário seriam ridículos, diplomatas ridículos, cheios de mundanidades (cf. Discurso, 06/06/2013, aos membros da Pontifícia Academia Eclesiástica). No fundo o que o Papa quer é que todos nós vivamos daquilo que somos: cristãos, filhos de Deus. Nessa linha de raciocínio, é preciso que o agir siga ao ser; cristão, portanto, age segundo o Cristo.Pastores realizados no seu ministério, que amam Cristo e o que fazem por Cristo são necessariamente vigilantes, estão despertos para proteger o rebanho de Cristo. A falta de vigilância “torna o Pastor insípido; fá-lo distraído, esquecido e até intolerante; sedu-lo com a perspectiva da carreira, a sedução do dinheiro e os compromissos com o espírito do mundo; torna-o negligente, transformando-o num funcionário, num clérigo de Estado, preocupado mais consigo mesmo, com a organização e com as estruturas, do que com o verdadeiro bem do Povo de Deus” (Homilia, 23/05/2013, à Conferência Episcopal Italiana).Na primeira ordenação presbiteral que realizou como bispo de Roma, pediu aos novos presbíteros que não se cansassem de ser misericordiosos nos sacramento da confissão e que não se envergonhassem de tratar com ternura os idosos (Homilia, 21/04/2013, nas ordenações presbiterais).Diante dos bispos italianos, o Papa fez a Nossa Senhora uma oração que pedia que nos libertasse da idolatria do presente que nos faz esquecer do vigor das origens, isto é, de uma Igreja orante e penitente; também pediu que sejamos despertados da “inércia da indolência, da mesquinhez e do derrotismo”. E continuava: “reveste os Pastores daquela compaixão que unifica e integra: descobriremos a alegria de uma Igreja serva, humilde e fraterna” (Homilia, 23/05/2013, à Conferência Episcopal Italiana).