Diocese de Anápolis

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Homilia de Dom João Wilk na acolhida de Dom Waldemar Passini Dalbello

Reverendíssimo Arcebispo, irmãos no Episcopado, Sacerdotes, Diáconos, Seminaristas, Religiosos e Religiosas, Autoridades civis e militares, povo de Deus;

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós!” A solenidade que hoje celebramos, de fato se atualiza no coração de nossa Diocese. Como num dia, o Logos do Pai deixou a eternidade para, fazer-se servo de toda a humanidade, no dia de hoje, um jovem bispo, atende a chamada do Sumo Pontífice e se faz presente entre nós, colocando-se a serviço da obra da redenção e da história de salvação desse povo reunido na Diocese de Anápolis. Assim, para que o Verbo continue se fazendo carne em nossos altares, Dom Waldemar é presente da Igreja para a nossa Diocese. Então, por ocasião de tão desejada chegada e no dia de sua tomada de posse do ofício como Bispo Coadjutor da mesma, desejo desenvolver convosco uma reflexão histórica e teológica, pastoral e evangélica.

Em primeiro lugar, convido-vos a fazermos juntos um passeio pela história dessa Igreja Particular. Vamos contemplar o agir de Deus nos quase sessenta anos de caminhada pastoral desta Circunscrição Eclesiástica. Analisar a vida da Diocese de Anápolis é ir além do aqui e agora e contemplar em sua história um caminho de mútuo enriquecimento, onde de ninguém se pode dizer melhor ou pior, mas que, cada qual a seu modo, contribuiu num caminho de providência e desenvolvimento integral a partir de suas aptidões pessoais e dons colocados a serviço da graça de Deus. E a isto queremos fazer notar:

Dom Epaminondas, primeiro Bispo da Diocese, que viveu o Concílio Vaticano II, aplicou em campo pastoral e litúrgico as normas e decisões eclesiais, frutos do Concílio, com sua verdadeira renovação, ou melhor, com seu “aggiornamento” na caminhada da Igreja. Valorizando os leigos, conseguiu levá-los ao envolvimento e compromisso com a Igreja Particular de Anápolis. Sob sua guia, foram dados grandes passos na aplicação concreta das decisões conciliares. Aqui, por exemplo, foi uma das primeiras Dioceses do Regional a celebrar uma ordenação de diáconos permanentes, cujo ministério fora restaurado no Sagrado Concílio. Com seu lema In Verbo Tuo (em Tua Palavra), Dom Epaminondas fez dessa Diocese uma Igreja permeada da Palavra de Deus e da graça que dela advém.

Dom Manoel, recebendo de seu antecessor uma Diocese com leigos comprometidos com o Reino de Deus, aproveitou-se dessa força dinâmica e transformadora em sua pastoral. Com seu lema In te projectus (projetado em Ti), e de fato projetando-se em Cristo, criou o Seminário Diocesano Imaculado Coração de Maria. Essa edificação, que nesse ano completou 45 anos, é fonte de vida espiritual e de um sacerdócio vivo e verdadeiro, onde já foram ordenados mais de 120 sacerdotes. Tal prioridade de Dom Pestana contribuiu para que hoje contássemos com um presbitério numeroso, jovem, bem formado na espiritualidade e na sã doutrina e trabalhador; padres comprometidos com a salvação das almas e que não medem esforços em se doar pelos fiéis de nossa Igreja, sendo verdadeiros colaboradores da Ordem Episcopal.

Louvor a Deus também por esses sacerdotes, cujo empenho dá vida a nossa Igreja e cuja contribuição faz possível também nosso ministério por aqui. É importante notar também seu empenho em fazer da Diocese um campo rico em piedade e oração, acolhendo várias comunidades religiosas para enriquecer as fileiras daqueles que aqui combatiam pela difusão do Evangelho.

Nos últimos 20 anos, com nossa pequenez e para que o Amor fosse amado (Ut Amor Ametur), auxiliado pelo dinamismo dos leigos, com o empenho dos sacerdotes e com a força fecunda e espiritual da vida religiosa, buscamos conservar e fomentar aquilo que de bom recebemos dos que nos precederam. A história continuou, sobretudo com nossa profunda vontade de incentivar a piedade popular e a espiritualidade característica do povo que aqui reside. Com essa força motriz, haurida dos frutos que colhemos das sementes lançadas pelos pioneiros, conseguimos também organizar, administrativamente, essa Igreja. Construímos e estruturamos a Cúria Diocesana e a casa episcopal, com todos e cada um dos seus organismos. A Cúria, com cada um dos seus oficiais e múltiplos e harmônicos departamentos, tornou-se um ponto de suporte e motivação para uma governança paroquial cada vez mais compatível com as normas civis e canônicas aplicadas a realidade eclesial. Além disso, dedicamos nossa força e vitalidade em fomentar, dinamizar e incentivar ainda mais a pastoral que aqui já se desenvolvia.

Nesse caminho de constante e fecundo desenvolvimento, onde um sucessor dos apóstolos complementa com seu carisma pessoal o empenho do outro, podemos afirmar que a Diocese de Anápolis tem trilhado, nesses quase 60 anos de existência, um verdadeiro caminho de sinodalidade que valoriza e acolhe as moções do Espírito Santo e os sinais dos tempos. Cada Bispo, cada sacerdote, cada leigo, religioso e religiosa, inserido nessa Igreja Particular, têm contribuído com sua vida e espiritualidade. Como peregrinos de esperança, nesse ano jubilar, nosso coração se enche de alegria de, num momento de sinodalidade vivido por toda a Igreja, também nós, no coração de Goiás, podemos dizer: a história continua, Deus nos assiste e nada nos faltará, pois “a esperança não decepciona!”

Num segundo momento dessa reflexão, permitam-me um afetuoso e sincero direcionamento aos leigos de nossa Diocese. Filhos amados de Deus, vocês são a razão de ser dessa Igreja.

Nosso ministério apostólico entre vós, caros filhos de Deus, tem razão de ser para que Deus seja conhecido, amado e servido entre vós. Pela celebração dos sacramentos e pela abertura concreta à graça de Deus, o espírito de comunhão e participação torna presente e operante, viva e visível, a verdadeira Igreja de Cristo.

Essa porção do povo de Deus é confiada ao pastoreio do Bispo. Nós, bispos, longe de sermos membros de uma hierarquia vazia e clericalizada, somos, sobretudo, servidores daqueles que compõem a porção do povo de Deus. Nosso ministério, antes de tudo, é o do serviço. Nesses mais de 20 anos que Deus me permitiu diante dessa Igreja particular, fui feito servo, primeiro servidor, que, exercendo o múnus de reger, santificar e ensinar, tive o privilégio de ver caminhar e se fortalecer um povo comprometido com a Igreja, que, posso dizer, amei e amo com todo o meu coração.

Quanto sigilo está envolvida nossa vida! Muitos fatos que me tiraram a paz como pastor, levarei para o túmulo, não podendo partilhar nem mesmo com aqueles que me são mais próximos. Mas, mesmo todos esses momentos penosos juntos e somados, não podem me roubar a alegria de ser vosso pastor. Aqui, na Diocese de Anápolis, entre vocês, vivo a plenitude do meu ministério. Vivendo tal plenitude posso dizer: Deus foi muito bom para comigo! Mesmo me permitindo a cruz purificadora da doença corporal, colocou ao meu lado homens e mulheres que, como verdadeiros Cireneus, dividiram comigo o peso da cruz do episcopado. Um destes Cireneus foi, Dom Dilmo Franco, cuja memória não poderia passar em branco nessa celebração. Aquele jovem bispo, com toda a força que tinha, por 1.643 dias esteve ao meu lado, sustentou-me, cuidou-me e me precedeu na caminhada ao céu. Quanto bem dom Dilmo nos fez fazendo o bem a todos aqueles com quem se encontrava. Sou grato a Deus por ter me dado muito mais do que um bispo auxiliar: Deus me deu um irmão, um filho, um amigo…

Contudo, ser bispo dessa Igreja é, sem dúvidas, uma das maiores alegrias do meu sacerdócio!

Por fim, gostaria de concluir dirigindo-me diretamente a Dom Waldemar, cuja chegada é o motivo dessa nossa tão solene celebração. Estimado irmão no episcopado e agora companheiro no serviço a essa porção do povo de Deus, gostaria de expressar o tamanho da alegria que sentimos em acolhê-lo entre nós. Saiba que sua chegada foi desejada, rezada e preparada com muito zelo por todos.

Que você possa, Dom Waldemar, ser tão feliz aqui como eu tenho sido, que possa ser tão bem acolhido e cuidado como eu sou e que, daqui a vários anos, quando estiver próximo do fim do exercício de sua pastoral episcopal, possa, como eu, contemplar a bondade de Deus que, sem dúvidas, o acompanhará.

Espero sinceramente que possamos caminhar juntos, ombro a ombro, para fazer com que Deus seja mais conhecido, amado e servido nesta Diocese. Conto com sua força e dinamismo, conto com sua inteligência e espiritualidade, para que, juntos, possamos servir aqueles que são a razão de ser dessa Diocese: o povo de Deus que reside no seu território.

Seja bem-vindo aquele que vem em nome do Senhor!

Encerro suplicando aos fiéis, a exemplo do Papa Francisco: rezem por nós! Rezem pelos padres, pelas vocações, para que Deus continue assistindo com tamanha generosidade a essa Diocese e para que aqui, no coração do Centro-Oeste brasileiro, realize-se aquilo que versava as armas episcopais de todos os bispos que por aqui passaram: que em atenção à Palavra e projetados em Cristo, o Amor que espera ser amado, sejamos congregados na unidade hoje e sempre.

Com a intercessão da Senhora Sant’Ana, de São Joaquim e de todos os Santos titulares de nossas paróquias, consagro nossa Diocese, seu passado, presente e seu futuro, ao Bom Jesus da Lapa, pela intercessão poderosa da Virgem Maria, Rainha da Paz.

Em louvor de Cristo. Amém!

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