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Em 2015 a Igreja celebrará 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II. Vivemos, portanto, o tempo de lembrar, conhecer e aprofundar os documentos, as intuições e as decisões deste maior acontecimento dos últimos anos da história da Igreja.

O Papa Bento XVI, na sua primeira mensagem aos Cardeais, no fim do Conclave que o elegeu, lembrou a eles e a toda a Igreja uma data importante: “Celebrar-se-á precisamente este ano (2005) o 40º aniversário da conclusão da Assembléia Conciliar (8 de dezembro de 1965)”. E dizia a este respeito: “Desejo afirmar com vigor a vontade decidida de prosseguir no compromisso de atuação do Concílio Vaticano II, no seguimento dos meus Predecessores e em fiel continuidade com a bimilenária tradição da Igreja”. Dizia isto, citando o exemplo do Papa João Paulo II: “Com o Grande Jubileu (a Igreja) foi introduzida no novo milênio levando nas mãos o Evangelho, aplicado ao mundo atual através da autorizada, repetida leitura do Concílio Vaticano II". Justamente o Papa João Paulo II indicou o Concílio como "bússola" com a qual orientar-se no vasto oceano do terceiro milênio (cf. Carta apost. Novo millennio ineunte, 57-58). Também no seu Testamento espiritual ele anotava: "Estou convencido que ainda será concedido às novas gerações haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos concedeu (17.III.2000)”. E concluía o pensamento: “Com o passar dos anos, os Documentos conciliares não perderam atualidade; ao contrário, os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas situações da Igreja e da atual sociedade globalizada”.

Mas o que foi o Concílio Vaticano II, para ouvirmos do Papa Bento XVI as palavras de tanta ênfase?

Foi convocado pelo Papa João XXIII e conduzido até o fim pelo Papa Paulo VI. Iniciou em 11 de outubro de 1962 e terminou em 08 de dezembro de 1965. Surgiu como fruto de uma longa preparação. Já desde o século XIX, o Movimento Litúrgico estava postulando a reforma e o aprofundamento da liturgia. O Papa Pio XII já acenava também para a necessidade de algumas reformas. Os grandes teólogos do século XX, os santos e os apóstolos do século XX apontavam para as rápidas mudanças no mundo, para as conquistas tecnológicas que postulavam a adaptação da Igreja ao mundo atual.

Para caracterizar o espírito do Concílio Vaticano II costuma-se recorrer às duas palavras: “aggiornamento” e “retorno às fontes”.

A palavra italiana “aggiornamento” significa atualização, adaptação da imutável verdade revelada da fé à compreensão do homem dos nossos tempos. Significa a expressão do imutável depósito da fé na linguagem acessível do homem moderno. Significa, ainda, uma abertura aos novos desafios que o momento atual traz.

A expressão “retorno às fontes”, significa a redescoberta das riquezas espirituais, doutrinárias e litúrgicas dos primeiros tempos da Igreja.

Dizia o Papa João XXIII no discurso inaugural do Concílio: “Desde Trento até o Vaticano I, o espírito cristão, católico e apostólico do mundo inteiro, espera um progresso na penetração doutrinal autêntica... Sempre a Igreja se opôs aos erros; muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Nos nossos dias, porém, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia que o da severidade; julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina que condenando erros... A Igreja deseja mostrar-se mãe amorosa de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e bondade...”

Dias depois, os Padres Conciliares proclamavam na Mensagem à Humanidade: “Procuraremos apresentar aos homens de nosso tempo, íntegra e pura, a verdade de Deus de tal maneira que eles a possam compreender e a ela espontaneamente assentir. Pois somos Pastores...”

O que pretendia ser o Concílio Vaticano II?

Ser um Concílio pastoral – dize as verdades imutáveis da fé na linguagem compreensível e atualizada.

Ser um Concílio doutrinário – no modo atualizado de apresentar a sempre válida doutrina da Igreja, o depósito da fé, da revelação, afirmado pelos Concílios anteriores, especialmente pelo Concílio de Trento. O Concílio tinha uma clara intenção doutrinária. Houve importantes aprofundamentos a respeito da identidade da Igreja. O Papa Paulo VI, no início da terceira sessão, em 14 de setembro de 1964, dizia: “Trata-se de completar a doutrina que o Concílio Vaticano I se propunha enunciar, mas que, sendo interrompido por obstáculos exteriores, não pôde definir senão sua primeira parte... Temos de completar a exposição desta doutrina para explicar pensamento de Cristo sobre sua Igreja”.

Ser um Concílio “ecumênico” – no sentido de envolver todos os bispos do mundo e no sentido de favorecer a unidade dos cristãos.

Quais foram as intenções do Concílio?

Entre outras, procurou evidenciar os valores e as verdades essenciais para a cristandade: o papel central da pessoa de Jesus Cristo na História da Salvação, o caráter litúrgico e comunitário do culto divino, a Igreja como novo Povo de Deus, sentido de fraternidade, o diálogo e co-responsabilidade dentro da Igreja, a colegialidade dos dirigentes da Igreja, a inculturação da fé e a renovação das estruturas da Igreja.

Um dos pontos fortes foi a renovação da liturgia, realizada na trilha de “retorno às fontes”, buscando os sentidos mais amplos e mais profundos do significado do mistério celebrado.
Para muitos, o Concílio Vaticano II é ainda desconhecido. Muitos o aceitaram superficialmente. Há muito por fazer, para que ele se torne realidade. É preciso conhecer e estudar a fundo todos os documentos conciliares, que possuem uma riqueza insondável.

Dizia Dom Boaventura Koloppenburg, um dos teólogos brasileiros que assessorou o Concílio: "Sentir com a Igreja, hoje, é sentir com o Concílio Vaticano II!"

Dom João Wilk, OFMConv.
Bispo de Anápolis, GO

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